sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Peru de natal, peru de natal

Me irrito facilmente nessa época do ano. Aprendi com a minha mãe a não gostar de Jingle Bells, tenho aversão a multidão enlouquecida buscando presentes coloridos, peguei birra da figura do papai noel depois de descobrir que tinham mentido pra mim por tanto tempo...
Alguns anos depois da minha conversão, fui pra uma igreja que pregava que o natal era pagão e pronto; o que pra mim fora na verdade um alívio. Nunca me senti bem com hipocrisia, luzinhas, "espírito de fraternidade" e com a celebração do capitalismo.
Sabemos que o menino Jesus não nasceu nesta data, no entanto, Ele nasceu - de uma virgem, num estábulo: o Rei dos reis! 
A luz dos homens resplandeceu, o verbo encarnou, agora há esperança!
Não sei se você que está lendo conhece o garoto do presépio, que morreu também numa cruz em nosso lugar, mas pra mim, é natal todo dia.

"O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.
Tu multiplicaste a nação, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa, e como exultam quando se repartem os despojos.
Porque tu quebraste o jugo da sua carga, e o bordão do seu ombro, e a vara do seu opressor, como no dia dos midianitas.
Porque todo calçado que levava o guerreiro no tumulto da batalha, e todo o manto revolvido em sangue, serão queimados, servindo de combustível ao fogo.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." (Isaías 9:2-6)



He rules the world
With truth and grace
And makes the nations prove
The glories of His righteousness
And wonders of His love

"Boa-nova de grande alegria: é que hoje nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor". (Lucas 2.10-11)

Que a graça nos alcance e que possamos viver todos os dias na singeleza e verdade do nosso Senhor, Jesus de Nazaré.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

VIRGINDADE SUBVERSIVA

faz tempo que eu não escrevo nada por aqui, mas eu preciso postar este artigo de autoria de Sarah Hinlicky retirado do iprodigo.com
felomenal...



Tá, eu admito. Eu tenho 22 anos e ainda sou virgem. Não por falta de oportunidade, minha vaidade se apressa para acrescentar. Se eu tivesse me sentido muito sobrecarregada por minha inocência antiquada, eu poderia ter encontrado alguém para resolver o problema. Mas nunca o fiz.
Nossa cultura me diz que alguma força opressiva deveria ser a causa da minha virgindade tardia – talvez um excessivo temor de homens, de Deus ou de ser pega no flagra. Talvez seja isso mesmo, já que eu posso apontar um número de influências que me levaram a permanecer virgem. Minha mãe me ensinou que auto-respeito exige autocontrole, e o meu pai me ensinou a exigir o mesmo dos homens. Eu sou bastante caipira para suspeitar que contraceptivos talvez não bastem para prevenir uma gravidez indesejada ou uma DST, e eu acho que aborto é matar um bebê. Eu realmente acredito na doutrina cristã da lei e da promessa, que significa que os dez mandamentos ainda estão entranhados na minha consciência. E ainda sou ingênua o suficiente para acreditar em um permanente, exclusivo e divinamente ordenado amor entre um homem e uma mulher, um amor tão valoroso que me motiva a manter as minhas pernas firmemente cruzadas nas mais tentadoras situações.

Definindo a sexualidade
Apesar de tudo isso, eu ainda acho que tenho um quê de feminista, já que a virgindade tem o resultado de criar respeito e de defender o valor da mulher assim disposta. Mas descobri que o reinado do feminismo de hoje vê pouco uso nisso. Houve um tempo quando eu era boba o bastante para procurar na literatura entre as publicações para mulheres que poderiam oferecer suporte nessa minha decisão pessoal. (Tudo é uma questão de escolha, afinal de contas, não é?) A escassez de informação sobre virgindade pode levar alguém a acreditar que o assunto é um tabu. Entretanto, eu fui bastante feliz ao descobrir um pequeno artigo sobre o assunto que referenciava o volume do feminismo, Our Bodies, Ourselves (Nossos Corpos, Nós mesmos – tradução livre).
A edição mais recente do livro tem uma atitude mais  positiva que a edição anterior, onde reconhece a virgindade como uma legítima escolha e não somente um subproduto da cultura patriarcal. Apesar disso, em menos de uma página, presume-se a cobrir o conjunto da emoção e experiência envolvida na virgindade, a qual parece consistir simplesmente na noção de que a mulher deveria esperar até ela estar realmente pronta para expressar sua sexualidade. E isso seria tudo a se dizer sobre o assunto. Aparentemente, a expressão sexual toma lugar somente dentro e depois do ato da relação sexual. Qualquer coisa mais sutil – como o amor delicado pela cozinha, a tendência a chorar assistindo filmes, o instinto maternal irreprimível, ou até um beijo apaixonado de boa-noite – é julgado como uma demonstração inadequada de identidade sexual. A mensagem velada de Nossos Corpos, Nós Mesmos é clara o suficiente: enquanto uma mulher for virgem, ela permanece completamente assexuada.
Surpreendemente, esta atitude tem se infiltrado no pensamento de várias mulheres da minha idade.  Mulheres que deveriam ainda ser novas o bastante na rede de mentiras chamada de idade adulta para terem um pouco mais de noção. Uma das memórias mais vívidas da faculdade é uma conversa com uma grande amiga sobre minha (para ela) bizarra aberração da virgindade. Ela e outra garota estavam divagando sobre os terríveis detalhes de suas vidas sexuais. Finalmente, depois de algum tempo, minha amiga de repente exclamou para mim: “Como você consegue isso?”
Um pouco surpresa, eu disse, “Consegue o que?”
“Você sabe”, ela respondeu um pouco relutante, talvez em usar a grande e temerosa palavra-com-V. “Você ainda não… dormiu com ninguém. Como você consegue isso? Você não quer?”
Essa pergunta me intrigou, porque estava totalmente distante da resposta. Claro que eu quero – que pergunta estranha! – mas simplesmente querer não é lá um bom guia para a conduta moral. Garanti à minha amiga em questão que minha libido estava funcionando normalmente, mas então eu tinha que apresentar uma boa razão por que eu estava prestando atenção às minhas inibições todos estes anos. Propus as razões comuns – saúde emocional e física, princípios religiosos, “me guardar” até o casamento – mas nada a convencia até que eu disse “Acho que não sei o quê estou perdendo”. Ela ficou satisfeita com aquilo e terminou a conversa.
Por um lado, claro, eu não sei o que estou perdendo. E é muito comum entre aqueles que sabem o que estão perdendo percorrer grandes distâncias para garantir que não perderão por muito tempo. Por outro lado, entretanto, eu poderia listar um monte de coisas que eu sei que estou perdendo: dor, traição, ansiedade, auto-engano, medo, desconfiança, raiva, confusão e o horror de ter sido usada. E estes são apenas aspectos emocionais; há ainda doenças, gravidez indesejada e aborto. Como se para provar meu caso do outro lado, minha amiga passou por uma traição traumática dentro de um mês ou dois depois da nossa conversa. Acontece que o homem envolvido tinha prazer em dormir com ela, mas se recusou a ter um “relacionamento real” – uma triste realidade que ela descobriu somente depois de algum tempo.

Poder da escolha
De acordo com a sabedoria feminista, sexualidade é para ser entendia através dos conceitos de poder e escolha. Não é uma questão de algo tão banal biológico quanto a produção de crianças, ou até mesmo a noção mais elevada de criação de intimidade e confiança. Às vezes até parece que o sexo nem deveria ser divertido. O objetivo da sexualidade feminina é afirmar o poder sobre os homens infelizes, para controle, vingança, prazer próprio ou forçar um compromisso. Uma mulher que se recusa a expressar-se na atividade sexual, assim, cai vítima de uma sociedade dominada pelos homens, que pretende impedir as mulheres de se tornarem poderosas. Por outro lado, diz-se, uma mulher que se torna sexualmente ativa descobre seu poder sobre os homens e o exercita, supostamente para sua valorização pessoal.
Esta é uma mentira absurda. Este tipo de guerra dos sexos da sexualidade resulta somente em uma vitória pírrica – vitória obtida a alto preço com prejuízos irreparáveis. Os homens não são aqueles que ficam grávidos. E quem já ouviu falar sobre um homem comprar uma revista para aprender os segredos para fisgar uma esposa? Sacrifício e renuncia do poder são naturais para as mulheres – pergunte a qualquer mãe – e elas também são o segredo do apelo feminino. A pretensão que agressão e verdade absoluta são as únicas opções para o sucesso do sexo feminino tem aberto portas aos homens predadores. O desequilíbrio do poder se torna maior que nunca em uma cultura de fácil acesso.
Contra este sistema de exploração mútua está a alternativa mais atraente da virgindade. Ela foge do ciclo cruel de ganhar e perder, porque se recusa a jogar o jogo. A promiscuidade de ambos os sexos vai tentar ferir, um ao outro, disfarçando infidelidade e egoísmo como liberdade e independência, e culpando o resultado sempre no outro. Mas ninguém pode reivindicar o controle sobre o virgem. Virgindade não é uma questão de afirmar o poder para manipular. É uma recusa em explorar ou ser explorado. Isso é o real e responsável poder.
Mas há mais do que mera fuga. Há um apelo inegável em virgindade, algo que escapa ao rótulo de desprezo feministas ressentidas de “puritana”. A mulher virgem é um objeto de desejo inatingível, e é precisamente sua inatingibilidade que aumenta o desejo. O feminismo tem dito uma mentira em defesa de sua própria promiscuidade, que não há poder sexual na virgindade. Pelo contrário, a sexualidade virgem tem um poder extraordinário e incomum. Não há como duvidar dos motivos de uma virgem: sua força vem de uma fonte além de seus caprichos transitórios. A sexualidade é dedicada à esperança, ao futuro, ao amor conjugal, às crianças e a Deus. Sua virgindade é, ao mesmo tempo, uma declaração de sua madura independência dos homens. Permite que uma mulher se torne uma pessoa completa em seu próprio direito, sem a necessidade de um homem para se revoltar contra ou a completar o que falta. É muito simples, na verdade: não importa o quão maravilhoso, charmoso, bonito, inteligente, atencioso, rico ou persuasivo ele é, ele simplesmente não pode tê-la. Uma virgem é perfeitamente inalcançável.
Claro, houve algumas mulheres que tentaram reivindicar essa independência dos homens, voltando-se para si mesmas, optando pela sexualidade lésbica em seu lugar. Mas este é apenas mais uma, e talvez mais profunda, rejeição de sua feminilidade. Os sexos se definem em sua alteridade. Lesbianismo esmaga a concepção de alteridade afogar a feminilidade num mar de mesmice, e no processo perde qualquer noção do que faz o feminino, feminino. Virgindade defende de forma simples e honesta o que é valioso e exclusivo para mulheres.
O corolário do poder é a escolha. Novamente, a feminista pressupõe que mulheres poderosas sexualmente serão capazes de escolher seus próprios destinos. E mais uma vez, isso é uma mentira. Ninguém pode se envolver em relações sexuais extraconjugais e controlá-las. Em nenhum lugar isso é mais aparente do que no pesadelo do colapso moral de nossa sociedade desde a revolução sexual. Algum tempo atrás eu vi na TV a introdução do inovador “preservativo feminino.” Uma porta-voz numa conferência de imprensa, comemorando o lançamento, declarou alegremente a nova liberdade que deu às mulheres. “Agora as mulheres têm mais poder de barganha”, disse ela. ”Se um homem diz que ele se recusa a usar preservativo, a mulher pode responder, tudo bem, eu uso!” Fiquei embasbacada por seu entusiasmo com a dinâmica da nova situação. Por que será que duas pessoas com tanta animosidade entre si consideram manter relações sexuais? Que bela opção de liberdade foi dada a eles!
A terrível realidade, claro, é que não há nada de livre escolha quando as mulheres têm de convencer os homens a amá-las e precisam convencer-se que são mais do que apenas “bens usáveis”. Há tantas jovens que tenho encontrado, para quem a atividade sexual de livre escolha significa um breve momento de prazer – se tanto – seguido pelos efeitos colaterais não escolhidos de incerteza paralisante, raiva pelo envolvido e, finalmente, um profundo ódio a si mesmas que é impenetráveis pela análise feminista. A chamado liberdade sexual é, na verdade, apenas proclamar-se estar disponível gratuitamente e, assim, sem valor. ”Escolher” essa liberdade é equivalente a dizer que não se vale nada.
Reconhecidamente, há algumas pessoas que dizem que sexo não é nada tão sério ou importante, mas somente mais uma atividade recreativa não tão diferente do ping-pong. Eu não acredito nisso por nem um segundo. Aprendi, de uma forma muito significativa, com outra mulher a força destrutiva do sexo fora do controle quando eu mesma estava sobre uma considerável pressão em atender as demandas sexuais de um homem. Eu discuti a perspectiva com esta amiga, e depois de algum tempo ela finalmente me disse, “Não faça isso. Até agora na sua vida, você fez as escolhas certas e eu fiz todas as escolhas erradas. Eu me importo o suficiente com você para não querer ver você acabar como eu.” Naturalmente, aquilo fez a minha cabeça. Sexo importa, importa muito; e eu posso somente esperar que aqueles que negam isso acordem para tal erro antes que se machuquem cada vez mais.
As mentiras que o feminismo tem pregado são assustadoras e destrutivas às mulheres. Tem criado a ilusão de que não há espaço para a autodescoberta fora do comportamento sexual. Não apenas isso é uma mentira grotesca, mas também é bem chata. Fora a dispensa implícita de toda riqueza fora do domínio do sexo, esse falso conceito tem imposto duros limites ao alcance dos relacionamentos humanos. É dito para nós que amizades entre homem e mulher são apenas uma enrolação até que eles finalmente se envolvam. Enquanto o romance é natural e uma expressão de amor recomendável entre um homem e uma mulher, não é simplesmente a única opção. E na nesse clima sexualmente competitivo, mesmo o amor romântico mal merece esse título. Virgindade entre aqueles que buscam o amor marital ajudaria muito a melhorar o desempenho e solidificar o mesmo, criando uma atmosfera de honestidade e descoberta antes da igualmente necessária e desejada consumação. Onde o feminismo vê a liberdade dos homens em colocar partes de seus corpos à disposição, neste jogo bizarro de auto-engano, a virgindade reconhece igualmente o vulnerável, embora frequentemente negligenciado, estado dos corações dos homens, e busca um caminho para os amarem verdadeiramente.
É estranho e incomodo para mim que o feminismo nunca tenha reconhecido o poderoso valor da virgindade. Eu tendo a pensar que muito da agenda feminista é mais investida em uma cultura de autonomia e darwinismo sexual do que em elevar genuinamente as mulheres. Claro, virgindade é uma batalha contra a tentação sexual, e a cultura popular sempre opta pelo caminho mais fácil ao invés das dificuldades que moldam o caráter. O resultado são mulheres superficiais moldadas por escolhas sem sentido, dignas de serem tratadas como estereótipos, ao invés de mulheres caráter louvável, dignas de serem tratadas com respeito.

Preparar para amar
Talvez a virgindade pareça um pouco fria e até arrogante e insensível. Porém, a virgindade quase nunca tem a exclusividade de assumir estes defeitos, se é que assume algum deles. Promiscuidade oferece um destino muito pior. Eu tenho uma grande amiga que, infelizmente, tem mais conhecimento do mundo que eu. Pelos padrões da libertinagem feminina, ela deveria se orgulhar de suas conquistas e estar pronta para mais, mas ela não está. O momento mais revelador sobre o que se passa em seu coração veio a mim uma vez enquanto estávamos ao telefone, especulando sobre o nosso futuro. Geralmente essas especulações são cheias de viagens exóticas, aventuras e pós-graduações. Naquela hora, entretanto, elas não eram. Ela confessou para mim que o que ela realmente queria era viver numa fazenda no interior de Connecticut, criando várias crianças e bordando toalhas de chá. É um adorável sonho, nada ambicioso, e doméstico. Mas os seus curtos e fracassados relacionamentos sexuais não a levaram de qualquer forma mais perto de seu sonho e deixaram pouca esperança de que ela sequer conseguirá alcançá-lo. Devo ser honesta aqui: a virgindade também não me levou a uma fazenda no interior de Connecticut. A inocência sexual não é garantia contra dor-de-cotovelo. Mas há uma diferença crucial: não perdi uma parte de mim para alguém que posteriormente tratou com desprezo, rejeitou e talvez nunca se importou com isso.
Eu espero sinceramente que a virgindade não seja um projeto de vida para mim. Muito pelo contrário, meu compromisso subversivo com a virgindade serve como preparação para outro compromisso, de amar um homem completamente e exclusivamente.  Reconhecidamente, há uma pequena frustração em meu amor: eu ainda não conheci O homem (pelo menos, não que eu saiba). Mas a esperança, aquela que não desaponta, me sustém.


domingo, 12 de dezembro de 2010

 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. [Mt 11:28-30]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Oração ao Deus Desconhecido


Antes de prosseguir em meu caminho
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais,
elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que, em
Cada momento, Tua voz me pudesse chamar.
Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
“Ao Deus desconhecido”.
Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.
Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.
Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante,
quero Te conhecer, quero servir só a Ti.
[Friedrich Nietzche]

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu também, Pascal... apenas acredito nas histórias cujas testemunhas estão dispostas a deixar-se degolar
sou da geração do desbunde, que não aceita perder tempo, que não deita na grama, que não se desconecta. hoje, no auge dos meus quase vinte anos, agi por impulso mais uma vez: cometi orkuticídio GRAAAAAAAAAAÇAS A DEUS depois de jogar fora boa parte da melhor parte da minha vida. quero tocar meus amigos, reconhecer a voz deles de novo, sentir saudade e escrever uma carta. parece idiota, talvez não dê certo, mas eu tenho saudade de viver, tomar garapa e ler um livro sem cronometrar o relógio, apostar na corrida de pingos, ouvir Choppin de madrugada...
ok, eu confesso, cada dia que passa, tenho mais saudades de casa.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

haja luz!

Entrou devagar em seu palácio e como nunca, observou cada pedaço. Tudo ali era nada, todo valor era pouco, o ouro não levaria consigo. Sentiu-se pobre, gritou e o eco ecoou, reparou pela primeira vez que não havia ninguém nos quartos; será que sempre fora assim? Com a força de uma heroína, cai uma lágrima, livre enfim. Sentir dor foi alívio, pra quem pensava já não estar vivo. Correu e ganhou do tempo, desesperado pra saber quem era, abriu as janelas e a luz entrou. Não gostou do que viu, mas descobriu que tinha saudade do ar, e que o silêncio lá de fora era como uma sinfonia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Grace

Grace, she takes the blame
She covers the shame
Removes the stain
It could be her name

Grace, it's the name for a girl
It's also a thought that changed the world
And when she walks on the street
You can hear the strings
Grace finds goodness in everything
Grace, she's got the walk
Not on a ramp or on chalk
She's got the time to talk
She travels outside of karma
She travels outside of karma
When she goes to work
You can hear her strings
Grace finds beauty in everything

Grace, she carries a world on her hips
No champagne flute for her lips
No twirls or skips between her fingertips
She carries a pearl in perfect condition

What once was hurt
What once was friction
What left a mark
No longer stings
Because Grace makes beauty
Out of ugly things

Grace finds beauties in everything


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ação!
o verbo encarnou, viveu, sangrou, padeceu
e venceu
o sujeito é o verbo
e para Ele são todas as coisas

tudo em Ti faz tanto sentido
os meus versos, tão perenes são pra Glória do teu nome
me perco de mim, Senhor e Rei
sou esfolada como pedra
não enxergo o quadro todo

não importa -
toda a terra está cheia da Tua Glória

sábado, 23 de outubro de 2010

pinguim

Já não sei mais qual silêncio é meu, invadiste meu espaço, fizeste-me conhecer um novo rítmo e eu aprendi a dançar de novo. Como é bom ter você do meu lado...











Muito agradecida, Deus.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

chego e não te olho nos olhos, ofereço minhas mãos inchadas pra varrer a calçada, preciso sair daqui. perguntaste meu nome - há quanto tempo não perguntavam meu nome... te encaro com medo - pq vc brilha assim? ofereceste-me uma oração e seus ouvidos pra eu contar a minha história amarga, sei que estou fedendo, meu rosto moído fala mais que minhas palavras, que nem eu confio - que nem eu confio.
fui pastor da madureira, andava de terno de giz e mandava flores a minha amada... hoje sou caco, sou viciado, moro na rua e peço comida - aliás, estou com fome.
menina, foi bom te encontrar. eu sei que ainda dá tempo... ainda dá tempo de voltar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou! PARARÁ TIMBUM PARARÁ TIMBUM
eu vou, eu vou, eu vou, eu vou

sábado, 16 de outubro de 2010

insensatez

"Isso deve ir não de acordo com teu entendimento, mas acima dele; mergulha na insensatez e dar-te-ei meu entendimento; não saber para onde vais é saber exatamente para onde vais. Meu entendimento torna-te insensato. Assim saiu Abraão de sua pátria sem saber para onde ir. Confiou em minha sabedoria e desistiu de sua própria, e encontrou o caminho certo e o destino certo. Eis o caminho da cruz: tu não o podes achar, eu tenho que guiar-te como a um cego; por isso nem tu, nenhum ser humano, nenhuma criatura, mas eu, eu em pessoa te ensinarei, através de meu Espírito e Palavra, o caminho que deves trilhar. Não a obra que te é preparado contra tua escolha, contra teu pensamento e desejo - a esse segue, a esse te chamo, nele sê discípulo; é tempo oportuno, teu Mestre chegou." 


Martinho Lutero

terça-feira, 12 de outubro de 2010

religião

sobre a pregação marxista...
O Estado é laico e blábláblá, não pode pregar Jesus. 




LUIZ FELIPE PONDÉ, para a Folha


Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.

E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: "No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós...".

Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: "Aleluia, irmão!". Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: "É necessário destruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá"

domingo, 10 de outubro de 2010

Bom, sei que algumas pessoas se importam e querem saber sobre o meu posicionamento para as eleições 2010. Não sou dona da verdade e não tenho a pretensão de criar polêmica neste humilde blog, mas lá vamos nós.
Ninguém em quem eu votei no primeiro turno foi eleito, e eu já esperava por isso, ainda assim, fui feliz e contente exercer a democracia neste país lindo e "livre". Desde criança eu gosto de ir votar, ouvir o "tiriri" do confirma e reclamar do mar de santinhos no chão. Acho diver.
Sou estudante de Ciências Socias e segundo minha família, "crente bitolada"; ninguém acredita muito nessa combinação. Até não muito tempo atrás, meus olhinhos brilhavam toda vez que eu ouvia falar sobre revolução, mas hoje, quanto mais leio Marx, Lênin e toda essa cambada, mais "crente" eu fico, coisa estranha viu... 
Quem conhece a doutrina da queda e da redenção do homem enxerga tudo diferente, não é possível conhecer a Jesus e continuar idolatrando o Estado.
Não votei na Marina por seu posicionamento em relação ao aborto, nem por ela ser evangélica, nem por ela ser mulher, nem por quê eu acredito no eco-capitalismo e também não sou muito fã do PV não, maaas...
Temos agora duas péssimas opções e continuem me amando se quiser: EU VOU ANULAR MEU VOTOOO \o/
Desde que me conheço por gente, o PSDB governa o meu estado, e desde que me conheço por gente, a educação aqui vai de mal a pior, os ricos continuam enriquecendo, não há ano de jubileu, tudo é privatizado, e enfim... So sorry.
A Dilma é outra, que por mais que o PIG esteja jogando muito sujo dessa vez, sabemos que tem o rabo preso e por isso não se defende. Esta, que é "sócio-capitalista", incoerente da cabeça aos pés também não merece o meu "tiriri".
Sou absolutamente contra essa onda de messianismo evangélico para a presidência, a tola satanização de tudo, e a compreensão superficial sobre o que é iniquidade; creio que o buraco é MUITO mais embaixo e que sim, o cristianismo pode mudar o rumo desta nação, mas negada, acorda, leia a bíblia, NÃO É DESSE JEITO. Chega de usar o nome de Jesus em vão, ele não é cabo eleitoral. 
Igreja, cuide da sua sexualidade, transforme a sua realidade, a cultura, reparta, divida, pare de olhar pro próprio umbigo, faça justiça, pregue a redenção, cuide do planeta, perdoe, doe, se envolva com política, arrependa-se, aí sim....
Eu tenho esperança, moçadinha. A subversão do evangelho é algo muito profundo, eu voto pra gente parar de brincar com coisa séria.
Esqueci um monte de coisa que eu ía falar e tenho que partir.
Sinceridade sempre e um bejo no coração.
Passar bem o/


bunitinhos

Tem um bucado de gente aí fora, contam-se por cabeças, apresentam-se em estatísticas e até votam. Dentre todos estes, meus colegas, aqueles cujo nome eu sei, a fisionomia eu guardo, mas não divido os sonhos, não tenho saudade.
Do lado de dentro, encrustados nas paredes de mim, meus amigos, os tus que me fazem eu, produtos caros, feitos a mão. A cada um que encontro sei que a ausência vai doer, mas vale a pena esperar para o reencontrar.

Coisas rrrrricas do meu core, i love yous

domingo, 19 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tenho em mim todas as dúvidas do mundo, e uma só certeza que as estraçalha: sou Sua morada. Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, sei que és assim pois assim Cristo viveu e selou isto com Seu sangue. Obrigada pois isto dá sentido ao ar que adentra em meus pulmões, a chuva que escorre dos meus olhos e ao gosto do chá de gengibre. Glória e força sejam dadas ao Rei de justiça, que é soberano sobre tudo e sobre todos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ponto de vista

A realidade ao nosso redor não é formado pelo que as coisas são.  Mas, como as coisas se apresentam e são significadas a partir de nosso imaginário.  Uma árvore para uma visão de mundo biológica não passa de um ser-vivo do reino vegetal; para um andarilho, sombra; para um poeta, inspiração.  

A questão não é afirmar o que as coisas são em si.  Não é essencialismo.  Mas, se carregamos a vida com um sentido que nos humanize.

Neste ponto, ver o mundo sob a ótica do evangelho, significa admitir a radicalidade da encarnação de Cristo, que entrou no mundo como "verbo de Deus" enchendo cada homem que se une misteriosamente a Ele, com imaginário apropriado.


Igor Miguel - www.teologo.org - @igorpensar
Soli Deo Gloria!


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

condescendência

"Um homem, que fosse um homem simples e dissesse o tipo de coisas que Jesus dizia, não seria um grande professor de moral. Ele seria um lunático - no mesmo nível do homem que diz ser um ovo quente - ou então alguém que não teria parte com Deus. É preciso fazer uma escolha. Ou esse Homem era, e continua sendo, o Filho de Deus, ou era um louco ou algo pior. Você pode expulsá-lo por pensar que Ele é tolo, pode cuspir nEle e tentar matá-lo como a alguém que não tem parte com Deus, ou pode cair aos seus pés e chamá-lo de Deus e Senhor. Mas não venhamos com nenhum absurdo condescendente sobre Ele ser um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa possibilidade. Ele não pretendia"
C.S. Lewis

domingo, 5 de setembro de 2010

AMAZING GRACE

Amazing Grace, how sweet the sound
that saved a wretch like me!
I once was lost, but now I'm found.
I was blind, but now I see!
Those grace that taught my heart to fear,
and grace my fears relieved!
well how precious did that grace appear
the hour I first believed.
When we've been there ten thousand years,
bright shining as the sun,
We've no less days to sing God's praise
than when we first begun!
Amazing Grace, how sweet the sound
that saved a wretch like me!
Said I once was lost, but now I'm found.
I was blind, but now I see!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Naquele dia, como em todos os outros, ela passou despercebida. Chegou em casa com dor nas juntas, beijou os filhos sem falar nada e colocou a água pra esquentar. O sol se põe mais cedo no morro, mas pouco importa já que ali não tem janela... Olhou pro chão, viu os meninos a brincar de gente e deu um sorriso tímido, sentiu saudade de ter esperança, lembrou dos planos que fez com ele, engoliu a choro a seco. Partilhou o arroz nos pratos de plástico, mas de novo dormiu com fome. 


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

é tão claro

É TÃO CLARO
QUE EU NUNCA IRIA ME DESPIR SOZINHA,
QUE EU NÃO IRIA CONSEGUIR TUA GRAÇA,
ESTAVA CEGA E NÃO IRIA OLHAR PRA TI
É TÃO CLARO
IMUNDA NO PECADO O SENHOR ME DISSE SIM
ME RESGATOU DAS TREVAS SEM EU MERECER
ME DEU UM NOME, UM LAR
SOU TÃO GRATA POR ME COMPRARES SENHOR DO UNIVERSO,
ARRANCASTE MINHA VENDA E AGORA EU POSSO CONTEMPLAR
QUANTA BELEZA HÁ
NA CRIAÇÃO
NA REDENÇÃO
NA ADOÇÃO DE TEUS FILHOS
É TÃO CLARO
TUA CRUZ ME ESCANDALIZOU
E EU ENTENDI QUE FOI POR AMOR


domingo, 1 de agosto de 2010

Quero a transcendência, nada mais.
Conhecer o homem como Homem, aquele que toca o céu com os pés no chão. Vejo-me em três dimensões mas não me vejo por completo, há algo de errado aí; acho absolutamente espiritual brincar na lama com as crianças mas pra todo mundo isso é expressão da minha loucura. Tudo o que é moderno me irrita, principalmente a igreja: sistemática, burocrática, impessoal e abstrata. A gente caiu e não notou.
Essa falta de discernimento faz mal pra gente e faz mal pro mundo, aonde estão os escolhidos? Numa era de tantos ismos e reducionismos, a sensação é que de fato falta gosto, falta sal, a verdade parece mentira e o que move o mundo é o capital. 
NÃO!
Peço perdão aos acomodados, mas o verbo não nos dá esse direito de pelo mundo sermos moldados.
Pronto ¬¬ comecei a rimar de novo
huahauhauhauhauhauhauhauhauu
Boa noite, estou com sono

quarta-feira, 21 de julho de 2010

no meio da noite

Às vezes simplesmente paro, olho a minha volta e tento me situar de novo. Respiro bem devagar pra notar quão denso está o ar e fecho os olhos pra ouvir melhor. Atento-me aquilo que eu nunca reparei, como na nova camada de poeira que eu deixei juntar no meu livro preferido. Parece que tudo está novo de novo, já não sou mais como antes. No mural do meu quarto, fotografias que contam a minha história... São só lembranças que não traduzem o que ficou de cada um. 


Elevo-me ao chão e lá me sinto mais eu: mais frágil, mais humana, mais perdida e mais desesperada do que antes... eu queria tanto poder olhar no Teus olhos mesmo sabendo que Tua Glória consumiria minha carne e que eu me tornaria cinzas. Tudo o que eu já vivi era mais do que eu poderia suportar, mas continua sendo nada perto dessa saudade! Aquieta o meu coração e converta-me logo a Ti, tenho pressa de andar nos Teus caminhos, Pai...
e como é bom te chamar de Pai

segunda-feira, 28 de junho de 2010
















HAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAHAHAAHAHAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

http://quadrinhosdehistoria.com/

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Expectação

Descaradamente declara-te no que era marasmo em minha janela,
na vida não despertada que anseia pelo manifesto justo,
tantas cores, tantos sonhos...

Há uma explosão por vir
de sentidos e sensores que voltarão a funcionar,
de complexos sistemas simples,
e inalienáveis verdades que nunca deixaram de ser

vou me encantar pelo belo, 
não vou temer o abismo
amor por inteiro: imensurável e irresistível
















sábado, 5 de junho de 2010

Ouço a chuva como se ouvisse teus conselhos. Tua voz me acalma, tua paz me invade, não consigo desviar-me de Tua luz incandescente. Reis dos reis eu sou tua (sinto-me mais segura ao passo que vou fraquejando, cada vez mais entregue em Teu colo).
Aliança perpétua.
Tua Glória me ofusca, Pai. Ensina-me a andar, carregar o madeiro maldito, insanidade pros homens, sangue justo e inocente. Por misericórdia, permita-me ao menos ser grata.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Seja quem for eu...

Dietrich Bonhoeffer
(1906-1945)


 Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.

Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.

Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?

Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?


Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!


----------

Dietrich Bonhoeffer foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência anti-nazista alemã e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista. Envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado, pouco tempo antes do próprio Hitler cometer suicídio.

quarta-feira, 19 de maio de 2010




"A verdade alivia mais do que machuca e estará sempre acima de qualquer falsidade, como o óleo sobre a água." 


Tocando em Frente

Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

estive pensando...

binha vida cibernética (cobo diria a Belissa) é tuto coissa de bobento.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

encharque

Meu espírito chora e mansamente me aperta pra que eu chore com Ele.
Parece que quer sair daqui, sente-se enclausurado em meu corpo tão perene. Faço barulho pra que não chame muita atenção, agito meus ossos, cabelos, meus planos, engulo a seco o que quer vir a tona e propositalmente me esqueço da dívida e da dúvida (mas não por muito tempo, sou sua propriedade e somente este dono plantou flores em mim).

Faz  mesmo questão de limpar o sótão? Sinto-me incomodada e invadida por tuas águas que querem me encharcar, cicatrizar as feridas e me levar pro mar...

terça-feira, 4 de maio de 2010

João saiu pra comprar batatas, encontrou Cida, Maria e Léa, gostou do papo, foi mascar coquinho, pegou no sono e acordou com gripe =D
[aviso quando gravar]

Quis fugir do meu cansaço
Me alistei na Guerra Fria
Numa noite houve um colapso
Entre a lua e a melodia
e então me calei
pra sentir o ar
pra tocar o céu
pra me alimentar
de saudade
de do que eu não sei
quis um nome
quis um violão pra eu dançar no relento
quis tocar nos teus escritos
não entendo
mas é disso que eu preciso
Você é quem me fez
Teu encontro, meu sorriso

terça-feira, 20 de abril de 2010

a Kombi

Nasci numa cidade do interior paulista no início da década de 70, mais precisamente no inverno de 1972. (Eram de chumbo aqueles anos no Brasil). Era o filho mais novo de uma família de cinco irmãos - duas meninas e três meninos. Morávamos todos numa pequena casa de três quartos e apenas um banheiro.
Toda manhã  era aquela correria, todos queriam (e tinham!) que usar o banheiro ao mesmo tempo: escola, trabalho, etc... Os únicos que não sofriam com as filas do banheiro eram eu, que ainda não tinha a obrigação de ir para a escola, e meu pai, que madrugava todo o dia por volta das quatro da manhã para tomar café (ah! minha mãe levantava antes para fazer o café...). Ele ia para o trabalho, não sem antes curtir, no centro da pequena cidade, o dia que começava a clarear acompanhado ao som dos passarinhos. Uma de suas paixões.
Outra paixão de meu pai e, principal personagem desta história, é a perua Kombi. Ela já participava da família desde 1967, quando meu pai a adquiriu “Zero Quilômetro”.
Durante muito tempo a Kombi foi o único veículo da família. Todas as nossas viagens, passeios e necessidades eram feitos nela e, além disso, era de extrema importância no trabalho do papai, todos os serviços feitos em sua tipografia tomavam o destino dentro dela. A Kombi azul foi o segundo carro do seu Zé Betti - como meu pai era conhecido, antes dela ele possuiu um carro que, de tão velho acabou sendo trocado por uma sanfona!(?)... (Não, papai não era músico! E nem nunca tinha pego em uma sanfona, mas isto é outra história...)
Fui crescendo... E a Kombi imponente, azul clara, na garagem – que ela ocupava, ou melhor, completava - continuava na família. Ela foi única nesse cômodo da casa (a garagem) até perder o abrigo para uma Brasília (amarela!) “zerinho” da minha irmã que acabara de completar 18 anos em 1979. A partir daí ela começou a “morar” na rampa descoberta daquela pequena casa. Os anos foram passando e outros carros foram aparecendo na família, um Voyage branco, uma Brasília (com teto-solar!) cinza e, da mesma cor, um Gol. Todos estes carros chegaram e... Passaram. A Kombi azul continuou...
Meu pai aposentou. E a Kombi ainda era a sua grande companheira, não mais nos desafios do trabalho, mas agora ela cumpria o papel levando-o para a “curtição”, na pescaria, no encontro com os amigos nos botecos da cidade, na batida diária na sapataria de seu grande amigo Antenor e por outros cantos. Nesse período meu pai brincava: “Meu coração balança entre a Kombi e a Coruja”. Coruja era a maneira carinhosa que ele chamava a minha mãe.
Na década de 90 meus sobrinhos nasceram e adoravam o CARRÃO do vovô. Era na Kombi que eles conheciam a cidade e, no balanço dela, embalavam os seus sonhos.
No carnaval de 1999 a Kombi silenciou...
Meu pai faleceu.
Nem eu e nenhum dos meus irmãos, tivemos coragem de nos desvencilhar daquela que competia com minha mãe no coração do papai. Até hoje, mais de 10 anos após a morte do seu Zé, ela continua na família. Não anda mais (não por falha mecânica, pois continua completa). Mas continua como um ídolo, um monumento de amor e carinho que marcou a história, a lembrança e a saudade de uma família. 
















Este texto é de autoria do meu Tio André, ex-cabeludo.
O prazo para participar da promoção "Kombi 60 anos" já foi - eeeeeeeeeee \o/