domingo, 21 de fevereiro de 2010

Esse Cristão Incrível

paradoxolosofia

A. W. Tozer

O cristão crê que morreu em Cristo, porém está mais vivo que antes e alimenta a esperança de viver plenamente para sempre. Caminha na terra enquanto assentado no céu e, conquanto nascido na terra, vê que, depois da sua conversão, não se sente em casa aqui. Como o falcão da noite, que nos ares é a essência da graça e da beleza, mas no chão é desajeitado e feio, vê-se o cristão em sua melhor forma nos lugares celestiais, mas não se adapta bem aos modos da própria sociedade em que nasceu.
O Cristão logo vem a compreender que, para ser vitorioso como filho do céu entre os homens da terra, terá de seguir, não o padrão comum da humanidade, mas o contrário. Para ter segurança, ele se arrisca; perde a vida para salvá-la, e corre perigo de perdê-la, se procura preservá-la. Ele desce para subir. Se se recusa a descer, já está embaixo, mas quando começa a descer, está subindo.
É mais forte quando está mais fraco, e mais fraco quando está forte. Embora pobre, tem o poder de enriquecer a outros, mas quando fica rico, desaparece a sua capacidade de enriquecer a outros. Possui mais quando distribui mais, e possui menos quando retém mais.
Ele pode ser superior, e muitas vezes o é, quando se sente inferior, e mais sem pecado quando tem maior consciência de pecado. É mais sábio quando sabe que não sabe, e sabe menos quando adquire a maior soma de conhecimento. Ás vezes faz mais, quando não faz nada, e vai mais longe quando fica parado. Na oração ele consegue a fonte de alegria, e mantém o coração alegre mesmo na tristeza.
Revela-se constantemente o caráter paradoxal do cristão. Por exemplo: Ele crê que já está salvo e, no entanto, espera ser salvo mais tarde e aguarda ansiosa e jubilosamente a salvação futura. Teme a Deus, mas não tem medo dEle. Sente-se dominado e nulo na presença de Deus e, contudo, não prefere nenhum outro lugar a estar em Sua presença. Sabe que já foi purificado do seu pecado e, todavia, está penosamente ciente de que em sua carne não habita bem algum.
Ama supremamente a Alguém que Ele nunca viu e, apesar de pobre e de baixa condição, conversa familiarmente com Aquele que é Rei de todos os reis e Senhor e de todos os senhores, e o faz consciente de que não há incongruência em agir assim. Está certo de que seus direitos são menos que nada, e, entretando, crê sem nenhuma dúvida que ele é a menina dos olhos de Deus e que por ele o Filho Eterno fez-se carne e morreu numa cruz da infâmia.

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