segunda-feira, 24 de maio de 2010

Seja quem for eu...

Dietrich Bonhoeffer
(1906-1945)


 Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.

Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.

Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?

Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?


Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!


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Dietrich Bonhoeffer foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência anti-nazista alemã e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista. Envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado, pouco tempo antes do próprio Hitler cometer suicídio.

quarta-feira, 19 de maio de 2010




"A verdade alivia mais do que machuca e estará sempre acima de qualquer falsidade, como o óleo sobre a água." 


Tocando em Frente

Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

estive pensando...

binha vida cibernética (cobo diria a Belissa) é tuto coissa de bobento.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

encharque

Meu espírito chora e mansamente me aperta pra que eu chore com Ele.
Parece que quer sair daqui, sente-se enclausurado em meu corpo tão perene. Faço barulho pra que não chame muita atenção, agito meus ossos, cabelos, meus planos, engulo a seco o que quer vir a tona e propositalmente me esqueço da dívida e da dúvida (mas não por muito tempo, sou sua propriedade e somente este dono plantou flores em mim).

Faz  mesmo questão de limpar o sótão? Sinto-me incomodada e invadida por tuas águas que querem me encharcar, cicatrizar as feridas e me levar pro mar...

terça-feira, 4 de maio de 2010

João saiu pra comprar batatas, encontrou Cida, Maria e Léa, gostou do papo, foi mascar coquinho, pegou no sono e acordou com gripe =D
[aviso quando gravar]

Quis fugir do meu cansaço
Me alistei na Guerra Fria
Numa noite houve um colapso
Entre a lua e a melodia
e então me calei
pra sentir o ar
pra tocar o céu
pra me alimentar
de saudade
de do que eu não sei
quis um nome
quis um violão pra eu dançar no relento
quis tocar nos teus escritos
não entendo
mas é disso que eu preciso
Você é quem me fez
Teu encontro, meu sorriso