sexta-feira, 22 de outubro de 2010

chego e não te olho nos olhos, ofereço minhas mãos inchadas pra varrer a calçada, preciso sair daqui. perguntaste meu nome - há quanto tempo não perguntavam meu nome... te encaro com medo - pq vc brilha assim? ofereceste-me uma oração e seus ouvidos pra eu contar a minha história amarga, sei que estou fedendo, meu rosto moído fala mais que minhas palavras, que nem eu confio - que nem eu confio.
fui pastor da madureira, andava de terno de giz e mandava flores a minha amada... hoje sou caco, sou viciado, moro na rua e peço comida - aliás, estou com fome.
menina, foi bom te encontrar. eu sei que ainda dá tempo... ainda dá tempo de voltar.

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