segunda-feira, 14 de março de 2011

"O ponto de partida de todo motivo na religião é Deus e não o homem. O homem é o instrumento e o meio, somente Deus é o alvo aqui, o ponto de partida e o ponto de chegada, a fonte da qual as águas fluem e, ao mesmo tempo, o oceano para o qual elas finalmente retornam. Ser irreligioso é abandonar o propósito mais alto de nossa existência, e por outro lado não cobiçar outra existência senão a vivida para Deus, não ansiar por nada exceto a vontade de Deus, e estar totalmente absorvido na glória do nome do Senhor, isto é a essência e o cerne de toda verdadeira religião. “Santificado seja o teu nome. Venha teu reino. Seja feita tua vontade”, é a tripla petição, que dá expressão à verdadeira religião. Nossa senha deve ser - “Buscai primeiro o reino de Deus”, e depois disto, pense em suas próprias necessidades. Primeiro permanece a confissão da absoluta soberania do Deus Trino; pois dele, através dele, e para ele são todas as coisas. E por isso, nossa oração continua a mais profunda expressão de toda vida religiosa."

Abraham Kuyper. CALVINISMO, Cultura Cristã, pg. 40.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O pai da mentira

"Muitos os ouvem, já que pelo menos apontam os males. A questão é se o remédio deles não é pior do que a doença. Se a alienação significar apenas que nosso relacionamento com as coisas está rompido, se a dominação da natureza ainda for vista como um objetivo, se os valores materiais ainda forem o alvo primário, e se o problema do pecado continuar a ser evitado, então as questões mais sérias permanecerão."

H. R. Rookmaaker, A ARTE NÃO PRECISA DE JUSTIFICATIVA, Ultimato, p. 21.

quarta-feira, 2 de março de 2011

"Quando os seres humanos oferecem sua lealdade e adoração sincera a algo diverso de Deus, eles progressivamente cessam de refletir a imagem divina. De acordo com uma das principais leis da vida humana, nós nos tornamos naquilo que adoramos; mais ainda, refletimos o que adoramos, não só o objeto em si, mas também o que está à sua volta. Os que adoram o dinheiro cada vez mais se definem em termos do dinheiro e cada vez mais tratam os outros como credores, devedores, sócios ou clientes, e não como seres humanos. Os que adoram o sexo se definem em termos do sexo (suas preferências, suas práticas, suas histórias passadas) e cada vez mais tratam os outros como autênticos objetos sexuais. Os que adoram o poder se definem em termos do poder e tratam os outros ora como colaboradores, ora como concorrentes ou reféns. Essas e muitas outras formas de idolatria se combinam de diferentes maneiras, todas elas prejudiciais à nossa condição de criaturas feitas à imagem de Deus e tocadas por ele. Minha sugestão é que é possível aos seres humanos não só seguirem por esse caminho, como também recusarem todos os rumores de boas-novas, todos os vislumbres da verdadeira luz, todas as sugestões para tomarem outro rumo, todos os indicadores do amor de Deus. Com isso, eles se tornarão, por escolha própria, seres que deixaram de ser humanos, que, portanto, não carregam mais em si a imagem divina. Com a morte desse corpo no qual eles habitam o bom mundo de Deus, no qual a trêmula chama da bondade ainda não se extinguiu por completo, eles ultrapassaram não somente a esperança, mas também a piedade. Não há campo de concentração na bela paisagem campestre, nem câmara de tortura no palácio dos prazeres. Aquelas criaturas qua ainda existem em estado "desumano" não mais refletem seu criador nem conseguem despertar, em si mesmas ou nos outros, a compaixão natural que alguns sentem até mesmo pelo pior criminoso.


N. T. Wright, Surpreendido pela Esperança, Ultimato, p. 198.