sexta-feira, 17 de junho de 2011

À Margem

    Sempre dei atenção a malucos, não entendo bem o porquê. Minha mãe e meus amigos morrem de medo que algum deles me faça mal e reprovam em especial o toque e o tempo que lhes dedico.
    Trago alguma bagagem de conversas, histórias e constatações...
    Grande parte das pessoas que vivem nas ruas conhecem a bíblia e já foram de igreja. Garotas de programa, usuários de droga, ex-presidiários, alcoólatras, gente que perdeu a família, perdeu o nome, perdeu a subjetividade. Menores, marginais, nóias, bandidos. A sociedade (e a igreja) não os enxerga mais como sujeitos, e sim como problema que deve ser escondido.
    Conhecem o evangelho a partir da ótica neopentecostal, choram ao ouvir falar de Jesus e não acreditam em seu perdão. Foram muito cobrados para serem santos e bem sucedidos, mas boa parte não sabe o que significa a cruz e a graça. Creem que o mundo jaz no malígno e desejam o céu com todas as forças. Culpam os demônios por seu fracasso e gostariam muito de poder tomar banho.

Efeitos contrários produzidos pela religião...

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