segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pai,
que a paz que excede todo o entendimento transborde em meu coração
guarda-me de mim mesma
e que a dúvida, o medo, a tristeza e a angústia não venham a encobrir a alegria da tua salvação
que eu possa amar a igreja apesar de seus muitos deslizes, assim como ela me ama
que o meu choro carregue ainda alguma esperança de um dia não mais chorar
que a amargura causada pelas pauladas que a vida me deu não me impeçam de amar
Senhor, olha pra mim que sou tão pequenininha
e me ajuda a andar
dá-me apenas um pouco mais de fé
que eu vou passar o café pra não ficar pra trás
sustenta esta pobre pecadora
e não a deixa esquecer
que é para a cruz que ela deve olhar

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Profundidade da Nossa Separação

    O homem está dividido dentro de si. A vida volta-se contra si própria através da agressão, do ódio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-próprio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar é o oposto do amor-próprio. É aquela mistura de egoísmo e aversão por nós próprios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos proíbe de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros.
    Mas a profundidade da nossa separação reside, justamente, no facto de não sermos capazes de um grande amor, clemente e divino, por nós próprios. Pelo contrário, existe em cada um de nós um instinto de autodestruição, tão forte como o nosso instinto de autopreservação. Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos. 
    A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios, porque estamos distanciados da Razão do nosso ser, porque estamos distanciados da origem e do objectivo da nossa vida. E não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. Estamos separados do mistério, da profundidade e da grandeza da nossa existência. Ouvimos a voz dessa profundidade, mas os nossos ouvidos estão fechados. Sentimos que algo radical, total e incondicional nos é exigido; mas rebelamo-nos contra isso, tentamos fugir à sua urgência e não aceitamos a sua promessa. 


Paul Tillich, in 'És Aceite'

domingo, 8 de abril de 2012

    Aos neoateístas, agnósticos, espíritas, umbandistas, hindus, budistas, bem resolvidos, capitalistas, revolucionários, artistas, cobradores de impostos, eco-chatos, chocólatras, drogaditos, ativistas, acomodados, miseráveis, relativistas, mentirosos, alienados, bem-nascidos, mal-nascidos, indecisos, indefinidos, ilimitados, ignorantes, aos que comeram bacalhau pela primeira e ultima vez no ano, aos que trabalharam no feriado e aos que trollaram o "cristianismo eventual" no facebook, aqui segue a minha explicação do pq comemoro a páscoa:


    Celebro a pêssach todos os dias. Recordo-me de onde me tirastes, dos grilhões que não me acompanham mais. Hoje em especial, meus irmãos de todo o mundo festejam a liberdade, e eu com eles.
    Obrigada pela lua pascal, obrigada por lembrar-nos sempre do corpo por nós moído do cordeiro, cujo sangue impede que o anjo da morte não nos destrua eternamente.

Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;  
João 11:25


 Na maneira como eu enxergo o mundo, se não houvesse a cruz e a ressurreição de Jesus, não haveria pq vc estar vivo. Feliz páscoa, meu amigo :)

domingo, 1 de abril de 2012

Não, eu não quero chegar no vazio, a ausência não me traz paz.
O silêncio que carrega a história traz consigo o meu inibidor de mim mesmo. Ele não é vazio.
Às vezes as explosões de cores, tatos, sabores e sons me enganam e me fazem pensar que o que eu sinto sou eu. Isso é vazio.
Ignorar o criador da mais linda obra de arte, suas leis e repetições, suas doses de azul e de cinza, aquilo que me permite sentir o calor e o alívio não me faz ser mais livre, embora pareça.
Pare de se enganar, Daniela... O mundo lá fora é mais bonito que o seu.

When He Returns - Bob Dylan