quinta-feira, 25 de abril de 2013

alá Pedro Bial

    Aqui em casa a gente tem mania de guardar coisas, qualquer tipo de coisas. Tem gente que não acha isso normal, nem saudável. De tanta coisa inútil, o que é útil, fica a vista por falta de espaço físico mesmo, dando uma sensação de eterna bagunça...
    Ok, eu concordo, não deve ser normal nem saudável mesmo.
    Após 20 e poucos anos, uma estante enorme que ficava em um dos quartos (justamente aquele quarto que todo mundo já dormiu) teve de ser desfeita já que a gente ganhou um outro móvel. Acredito que pouca gente no mundo pode ter a inundação de boas lembranças que eu estou tendo agora. Está tudo espalhado pra gente poder se acertar de novo.
    Coleção de fitas da disney, cds (de NOFX a só pra contrariar), jogos de tabuleiro, meus pôsteres no nirvana e do gianecchini (ahahahahahah), cadernos desde o infantil I, poemas, provas, cartinhas de abor, desabafos, conversas eternas que rolavam durante as aulas no papel, desenhos, papel de bala, minhas tintas, revistinhas de cifra, recortes e colagens toscas, elogios e  puxa-saquismos de professores (saudades, inteligência), um texto meu da sexta série, pasmem, falando de como eu era fã de Lênin, enfim; que bom que nada disso se perdeu, que bom sentir o cheiro da minha infância de novo, lembrar das crises dos 14 anos e ver que eu sobrevivi, que bom rir de si mesmo, ver o quanto eu cresci e o que ainda é exatamente igual. 
    Não jogue suas lembranças fora (aliás, pode jogar, mas não jogue tudo, isso sim é doença) elas um dia dirão quem você foi, quem você é e te ajudarão a lembrar de quem você quer ser.

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