terça-feira, 4 de março de 2014

Senhor, o tempo é infinito entre as tuas mãos.
Não há ninguém para contar os teus minutos.
Os dias e as noites passam e os séculos florescem e depois morrem como flores.

Tu sabes esperar.

Teus séculos se encadeiam para realizarem uma humilde flor selvagem.
Não temos tempo a perder, por isso devemos lutar pelas nossas oportunidades. Somos pobres demais para nos atrasarmos.
E assim passa o tempo, enquanto eu o deixo entregue ao lamento dos que o reclamam; e até o fim teu altar fica sem oferendas.
No dia que termina, apresso-me, receoso de que a tua porta esteja fechada; mas descubro que ainda é tempo.

Rabindranath Tagore em Gitânjali (1982).

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